Paróquia de S. Pedro de Ferreira

O “ex-libris” é seguramente a sua Igreja de S. Pedro, como exemplar que é do românico rural Português e o mais importante monumento do século XII em Portugal. Anterior ao actual Mosteiro seria um Templo de que algumas pedras empregues posteriormente na construção dão ainda testemunho. Nada se conhece desse que imaginamos pequeno e simples Templo.

Posteriormente, parte substancial do que hoje é Ferreira foi incorporada na Mitra Episcopal do Porto, para renda de Cónegos (1195). Mas em 1258, e pelas inquirições, Ferreira é dita como terra de “militares”, entenda-se aqui o termo “milites” como querendo significar alguém da classe dos cavaleiros. O Mosteiro foi por certo extinto e, como pertença de cónegos, passou a Colegiada. Sufragânias, eram as Paróquias de Santa Eulália de Sobrosa e Santiago de Modelos, situação que se arrastou até meados do século XIX.

É num período de desafogo económico que se inicia a construção do Templo actual. A construção foi rápida, é homogénea e, aparentemente, nada se poupou em técnicas, materiais e grandes mestres de renome. A estrutura arquitectónica é simples, mas de uma unidade plástica impressionante. Tem uma só nave de quatro tramos, enquadrados por colunas e botaréus de reforço às paredes laterais.

A capela-mor, muito simples pelo exterior, é interiormente organizada em pequenos arcos, nichos e capitéis, que entre si se conjugam em perfeita harmonia e dão ao conjunto uma dinâmica que não cansa.

Pelo exterior, o templo é rodeado por arcaturas em contínuo, bem cadenciadas e combinadas com os lóbulos do portal. O próprio nártex, se bem que posterior, também ele respeita e combina com o conjunto.

Uma referência para uma pia Baptismal Manuelina (1496-1503) e a uma bela escultura de S. Pedro, da mesma época. No nártex, destinado a cobrir e a marcar a zona sepulcral, havia até à pouco uma estátua de um nobre, com bordão de peregrino, a lembrar a importância que o caminho de Santiago teve na região.

De um documento referente ao culto de Ferreira (1542), tira-se a informação acerca de uma Ermida de S. Domingos construída em lugar ermo e por isso cedo abandonado, tendo as imagens vindo parar à casa de Brito e à Capela da Senhora da Luz. Capela da Senhora da Luz, situada no lugar de Senhora da Luz e de construção recente. A ermida de S. Tiago, no alto da serra, diz a Coreografia do Padre António Carvalho da Costa (1706) o seguinte. “Ermida de Santiago, do Milagres, em que Deus por intercessão deste Santo obra tantos, que excedem a fé humana; tem feira em seu dia, que dura três dias”. Na reconstrução (1585) deu-se um bom arranjo renascentista na frontaria. A silharia é preciosa. Na parte exterior há um friso com três bicas que vertem para um pequeno balneário com escadaria. Mais uma referência aos peregrinos de Santiago.

 

Festas

A festa e romaria em honra de Santiago tem lugar a 25 de Julho, no lugar de Santiago. Hoje realiza-se, também, a festa em honra de Nossa Senhora da Luz, na Capela do lugar da Senhora da Luz no segundo Domingo de Setembro.