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Fundação pontifícia quer «devolver» presença cristã a Mossul

Campanha de Natal 2017 apoia vítimas do autoproclamado Estado Islâmico

Lisboa, 07 nov 2017 (Ecclesia) – O secretariado português da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) vai dedicar a sua campanha de Natal 2017 à reconstrução das casas de comunidades cristãs vítimas do autoproclamado Estado Islâmico no Iraque.

Catarina Martins, diretora deste secretariado nacional, fala numa “campanha de sensibilização” da opinião pública para evitar “o fim da comunidade cristã” no Iraque.

“Podemos estar a assistir hoje a momentos tragicamente históricos”, adverte a responsável, em entrevista que é hoje transmitida no Programa ECCLESIA (RTP2, 15h00).

Calcula-se que aproximadamente 12 mil famílias – cerca de 95 mil pessoas – foram forçadas a fugir, no erão de 2014, abandonando tudo o que tinham, por causa da conquista da região pelos jihadistas.

“É agora o momento de ajudar estas famílias a voltar”, defende Catarina Martins, evitando que as suas casas sejam ocupadas por outras pessoas.

A fundação pontifícia AIS promove a nível internacional uma “grande ação” de solidariedade com a minoria cristã, após a libertação da Planície de Nínive, intitulada ‘Iraque, o regresso às raízes.

Uma comunidade que fugiu maioritariamente para o Curdistão, onde a Igreja Católica não apoia apenas os que são cristãos, mas “continua aberta a ajudar todas as pessoas”.

Catarina Martins sublinha esta mensagem de “perdão e de amor ao próximo”, considerando que os cerca de 200 a 300 mil cristãos atualmente no Iraque representam uma “comunidade extremamente pequena mas com um papel extraordinário neste trabalho de reconciliação”.

O projeto vista a reconstrução de 13 mil casas total ou parcialmente destruídas, num esforço de cerca de 250 milhões de dólares.

Para a concretização deste projeto, foi criado um Comité para a Reconstrução da Planície de Nínive, que engloba, além da Fundação AIS, representantes de todas as igrejas iraquianas, técnicos de engenharia, arquitetos e gestores.

O rito caldeu remonta às origens do Cristianismo e tem particular importância na Síria e no Iraque; muitos dos fiéis desta comunidade vivem na diáspora.

A chamada Igreja Assíria do Oriente obteve a autonomia no concílio de Markbata, em 492, com a possibilidade de eleger um patriarca com o título de ‘catholicos’.

Em 1830, o Papa Pio VIII nomeou o “patriarca da Babilónia dos Caldeus” como chefe de todos os católicos caldeus; a sede deste patriarcado era Mossul, no norte do Iraque, e seria transferida para Bagdade em 1950, após a II Guerra Mundial.

HM/OC