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Diocese: Nasce a Livraria Telos-Paulus na Casa Diocesana de Vilar

A partir de setembro a Diocese do Porto passa a ter um novo espaço de cultura: a Livraria Telos-Paulus na Casa Diocesana de Vilar. Nasce, assim, a nova livraria diocesana, em formato de parceria, substituindo a Livraria Voz Portucalense. Apresentamos todos os pormenores desta mudança, em discurso direto, na reportagem da VP junto dos protagonistas: padre Samuel Guedes. Diretor da Fundação Voz Portucalense e o padre José Carlos Nunes, Diretor da Paulus Editora

Por Rui Saraiva

A partir de setembro a Diocese do Porto passa a ter um novo espaço de cultura: a Livraria Telos-Paulus na Casa Diocesana de Vilar. Esta livraria substituirá a Livraria Voz Portucalense que cessa a sua atividade. A nova livraria diocesana, nasce do entendimento alcançado entre a Fundação Voz Portucalense e a Paulus Editora que ficou vertido numa parceria entre estas duas instituições.

A antiga Livraria Telos renasce, assim, dando nome à nova livraria diocesana, agora com uma parceria com a Paulus Editora: a Livraria Telos-Paulus a partir de setembro estará ao serviço dos diocesanos do Porto e de todos aqueles que passam semanalmente (e são muitos) pela Casa Diocesana de Vilar.

A VP quis apresentar os pormenores desta significativa mudança na oferta cultural da diocese do Porto, através das palavras dos protagonistas em discurso direto. Publicamos aqui as entrevistas ao padre Samuel Guedes. Diretor da Fundação Voz Portucalense e ao padre José Carlos Nunes, Diretor da Paulus Editora.

 

“…um conceito de espaço onde possa haver a venda de livros, mas também de conferência, de apresentação das obras que são publicadas, de tertúlia”

Na entrevista que concedeu à VP o padre Samuel Guedes, ecónomo da diocese do Porto e diretor da Fundação Voz Portucalense, assinala a importância do formato de parceria desta nova livraria. Sublinha também as vantagens da sua localização na Casa Diocesana de Vilar.

VP: Livraria Telos-Paulus: esta é uma forma de manter uma livraria diocesana, ao dispor dos diocesanos, mas com uma parceria que vai permitir uma diminuição nos custos?

SG: A direção da Fundação Voz Portucalense tem duas grandes preocupações: a primeira preocupação é o nosso jornal e a remodelação que foi feita que teve já a intenção de querermos fazer uma mudança significativa e apelativa que entusiasmasse o leitor a olhar para o nosso jornal como uma peça que se lê com agrado e que traz da diocese as notícias que nós precisamos de saber. Esse é um dos braços da nossa preocupação e o segundo braço é, de facto, a livraria.

E a nossa livraria neste momento não serve para aquilo que a diocese precisa. Em primeiro lugar, como está não tem capacidade; em segundo lugar a casa está com dificuldades de estrutura. Precisamos de requalificar a forma como apresentamos o produto que temos na livraria e é necessário olhar para o mercado com as exigências e com as regras que ele exige.

Portanto, há aqui um conjunto de preocupações às quais a diocese, através da Fundação Voz Portucalense, neste momento não tem capacidade para dar resposta. Claro que, como está, não está bem, não conseguimos manter o que temos por muito tempo, mas também não queremos acabar. Não queremos fechar. Então fomos procurar uma colaboração, uma parceria, de quem nos pudesse ajudar a reestruturar este projeto

VP: E, então, esta parceria com a Paulus Editora está estabelecida em que moldes?

SG: Foi a coincidência entre duas vontades. A primeira vontade foi a nossa de não querermos fechar e querermos uma outra solução. E a outra vontade foi a da Paulus que gostava de ter um espaço no Porto para ter a sua livraria. Não vai ser no sítio atual porque não é possível neste momento, mas a diocese e a Paulus Editora acharam que o espaço ideal era a Casa de Vilar.

Então propus ao padre José Carlos Nunes, Diretor da Paulus Editora, que a livraria não fosse um cubículo, um quiosque montado com uma vidraça, mas sim que no espaço de receção, de acolhimento, onde está o bar, onde passa tanta gente para todos os setores das atividades que se desenvolvem na Casa de Vilar, tivéssemos um espaço onde as pessoas pudessem estar, não só para comprar os livros, mas também para ler e contactar com os livros.

A ideia que eu dei ao padre José Carlos era que fosse um conceito de espaço onde possa haver a venda de livros mas também de conferência, de apresentação das obras que são publicadas, de tertúlia. Que a própria livraria fosse para aquele espaço um lugar de cultura.

VP: Isto vai implicar algumas obras de remodelação?

SG: Obras muito simples. O padre José Carlos tem já o mobiliário necessário e teremos que ter ali alguma logística. Mas estamos a falar do interior de uma casa que não tem os problemas de montra de uma loja. Serão ajustes muito simples fáceis de resolver. Com poucos custos.

VP: O contrato com a Paulus implica uma comissão nos livros que forem vendidos?

SG: Sim. Estamos neste momento a negociar esse contrato com a Paulus e, em princípio, nós teremos uma comissão na venda dos livros. Uma comissão mais pequena, nos livros que não são edição Paulus, uma comissão um pouco maior nos livros que são de sua edição.

VP: Que finalidade vai ser dada à loja na Rua de Santa Catarina?

SG: Não temos ainda fins definidos para o espaço em Santa Catarina que é propriedade da diocese e não da Fundação Voz Portucalense. É evidente que é um lugar nobre, é um lugar que tem história e agora temos que pensar o que é que iremos colocar lá e que possibilidades temos para aquele lugar. Não será para o perder.

 

“Abrir uma livraria, mesmo em parceria, é um verdadeiro ato de fé”

O padre José Carlos Nunes, Diretor da Paulus Editora, respondeu às questões da VP sobre esta colaboração especial com a diocese do Porto, tendo sublinhado o facto de que esta parceria demonstra que “unir esforços e criar comunhão é uma verdadeira atitude eclesial”. O padre José Carlos Nunes assinala também que, para além da divulgação e da venda dos produtos Paulus, a sua Editora tem como objetivos organizar eventos naquele novo espaço e “procurar conteúdos de autores do Porto”.

VP: Como nasceu esta parceria entre a Fundação Voz Portucalense e a Paulus Editora que cria a Livraria Telos-Paulus?

JCN: Nasceu de contactos havidos entre as duas instituições que encontram nesta parceria a prossecução da missão que ambas têm de evangelizar. Já há algum tempo que a Paulus Editora e a Livraria Voz Portucalense tinham uma estreita colaboração na divulgação dos produtos da Paulus, a que chamamos “ponto de venda” e que temos tido com outras livrarias diocesanas e religiosas. Quis agora a Providência que esta parceria se estreitasse mais.

VP: Qual o principal objetivo desta parceria para a Paulus Editora?

JCN: Das poucas iniciativas que temos tido no Porto o público tem-nos solicitado uma maior presença não apenas com os nossos produtos, mas também com as nossas iniciativas de eventos e apresentações. Assim sendo, o nosso principal objetivo com esta parceria é divulgar mais os produtos e a marca Paulus, organizar eventos com os nossos autores também na Livraria Telos-Paulus e procurar conteúdos de autores do Porto.

VP: Trata-se, então, de um grande desafio para a Paulus Editora?

JCN: Sim, nos tempos que correm em que o mercado livreiro está um pouco instável, abrir uma livraria, mesmo em parceria, é um verdadeiro ato de fé, mas porque acreditamos nos caminhos da evangelização não o podíamos não fazer. Além disso, queremos que as nossas livrarias se tornem centros de cultura e parece-nos que o Porto tem essa apetência. Por outro lado, o facto de unir esforços e criar comunhão é uma verdadeira atitude eclesial.

VP: A localização desta livraria na Casa Diocesana de Vilar é uma vantagem competitiva?

JCN: É sobretudo uma estratégia pastoral, que no nosso caso é ir ao encontro das pessoas onde elas se encontram. Como a Casa Diocesana de Vilar acolhe inúmeros encontros e é frequentada por quase toda a diocese e não só, poder disponibilizar livros e artigos religiosos que sirvam o povo de Deus é parte da nossa missão.